Brasil em Espiral
***Disponível para venda*** Ficha TécnicaTamanho: 25 cm de diâmetroMaterial: algodão cru, linha perlé e mouliné anchorMoldura: bastidor decorativo em pinusValor: R$ 380,00Esta tela foi bordada em 46 horas.
***Disponível para venda*** Ficha TécnicaTamanho: 25 cm de diâmetroMaterial: algodão cru, linha perlé e mouliné anchorMoldura: bastidor decorativo em pinusValor: R$ 380,00Esta tela foi bordada em 46 horas.
***Disponível para venda*** Ficha TécnicaTamanho: 40×30 cmMaterial: algodão cru, linha perlé e mouliné anchorMoldura: madeira maciça (cedrinho)Valor: R$ 320,00Esta tela foi bordada em 34 horas. Amar! (Florbela Espanca) Eu quero amar, amar perdidamente!Amar só por amar: Aqui… além…Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…Amar! Amar! E não amar ninguém! Recordar? Esquecer? Indiferente!…Prender…
Clarice já não tinha idade para se surpreender com homem, mas ainda tinha sistema nervoso, o que era um inconveniente… Bastava abrir o celular, ouvir uma conversa na fila do caixa do mercado ou existir em espaço público por mais de sete minutos para topar com alguma nova demonstração do esporte favorito da civilização: odiar…
Clarice acordou desolada. Não era ressaca, não era boleto, não era nem o sumiço misterioso de uma meia na máquina de lavar — era pior… Era manchete. “Ninguém vai chorar pelo Irã.” Ela leu uma vez. Depois releu, achando que talvez tivesse trocado as sílabas. Quem sabe era “ninguém vai chorar no Irã”, erro de…
Clarice sempre achou gatos criaturas esteticamente irrepreensíveis. Elegantes, silenciosos, minimalistas — quase como esculturas vivas, dessas que a gente admira de longe e agradece não precisar limpar o pó. O problema nunca foi a beleza felina. O problema sempre foi a sobrevivência humana. Clarice é alérgica a gatos de um jeito pouco poético: não espirra…
Clarice descobriu que envelheceu quando começou a ler notícia ruim como quem lê previsão do tempo: sem susto, só com aquela cara de “ah, tá… mais uma tempestade acompanhada de furacão”. A manchete do dia tinha cheiro de mofo com perfume caro: sociedade patriarcal considera aumentar impostos para mulheres que não querem ter filhos. Clarice…
Clarice não viaja. Clarice acontece. E, como todo acontecimento bem mal-educado, ela chega sem avisar, sem roteiro, sem seguro-viagem e com um otimismo suspeito. Planejar pressupõe acreditar que o mundo vai colaborar, e Clarice deixou de acreditar nisso aos 15 anos, quando percebeu que a vida tem a delicadeza de uma betoneira desgovernada. Desde então,…
Outro dia, enquanto tomava café frio na mesa da cozinha, o algoritmo de Clarice lhe passou mais uma rasteira indicando uma entrevista… Era dessas leituras que não passam incólumes: entram pelos olhos e descem direto para o estômago. Clarice não estava buscando raiva, mas ela veio. Não como explosão, e sim como aquela pressão antiga,…
A internet daqui de casa é como aquelas relações tóxicas que a gente insiste em manter por costume: metade do mês funciona, na outra metade eu fico olhando pro modem como quem espera mensagem de ex. Pisca uma luzinha, apaga outra, faz um barulhinho suspeito. Eu, que nunca fui muito boa em terminar nada –…
Clarice sempre achou que a humanidade tinha uma queda natural por desvarios. Desde criança, ouvindo os roceiros falarem de lobisomens e colocando em dúvida as vacinas, ela já suspeitava que a lucidez era uma espécie de ave migratória – rara, arredia e que só aparecia quando bem entendia. Mas nada, absolutamente nada, preparou Clarice para…