“Vida. Desenho emaranhado. Desemaranhar a trama intrincada, miúdo balé de agulhas e linhas desenhando num pano histórias silenciosas, contadas pelas mãos. Os lábios, cerrados. Os olhos, na alma. Em cada ponto, um canto. O bordado fotografa filigranas do invisível. Tece raios de sol, revela aos olhos o peixe no fundo d’água, pinta luz da lua em céu cor de rosa… Suas flores não secam nem murcham. No bordado, tudo é maravilhamento. Arrebata-me também o avesso, espelho imprevisível dos nós cegos do meu peito riscado de paisagens. Por horas a fio, o tempo cavalga os novelos, como um beduíno palmilhando o deserto eterno e monocromático. Um bordado, o oásis! E no fim, resta ao tecelão o coser dos dias, seguindo, ponto a ponto, num quadro inacabado onde toda imagem desmorre em matizes nascidas no tear de Deus.” (Fernanda de Paula)
Clarice acordou cedo naquele dia. Não por escolha, veja bem – ninguém em sã consciência troca o último cochilo por vontade própria. Foi a bomba d’água do vizinho…
Clarice sempre teve uma queda por lugares com história — mas nunca soube se era paixão pela memória arquitetônica ou só um problema sério de autoestima imobiliária. Quando…
Clarice, como já sabemos, nunca foi mulher de pouco. Era daquelas que sabiam muito, falavam várias línguas e ainda tinham a audácia de pensar. Um perigo para qualquer…
Clarice não fugiu pra roça – ela apenas voltou pra casa. A cidade, com seu barulho, sua pressa e seus chefes de PowerPoint, foi um desvio temporário. Ela…
Clarice teve uma infância que hoje renderia documentário premiado na Netflix: “Criança Selvagem: a Menina que Dormia com Cobras e Acordava com Galinhas”. Nasceu numa chácara encostada numa…
Dona Clarice sempre foi uma artista. Uma daquelas artistas de verdade, não essas que fazem tutorial no TikTok e se autoproclamam “criadoras de conteúdo”. Ela bordava como quem…